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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O que pode encontrar num Beta-reader?



Nunca me esquecerei da primeira vez que fui beta-reader. Não foi há muito tempo e fi-lo por curiosidade. Nunca pensei que se viesse a tornar numa das tarefas que mais prazer me dá e que aceito com facilidade. Costumo ser bastante crítica, mas tento não mexer muito na história e no estilo pessoal do escritor. Quando um manuscrito me vem parar às mãos, o meu lema é “como posso ajudar esta pessoa a publicar esta obra?”. Na minha cabeça tenho sempre em mente que a pessoa TEM de o publicar. É uma forma de me motivar e dar o máximo. Daí ser tão crítica.

Mas o que é um beta-reader?

É interessante como alguns dos autores que me pediram ajuda não sabiam o que era ser-se beta-reader nem o que procurar nessa pessoa. Aqui ficam algumas dicas. Se está a escrever um livro e gostaria da ajuda de um beta-reader, fique aqui a saber o que é, o que pode esperar e que erros não deve cometer.

O que é um beta-reader? 
Um beta-reader, ou leitor beta, é uma pessoa que lê a versão "final" do manuscrito (para o escritor) mas antes de ser enviado ao editor. Não faz sentido que um escritor envie uma obra inacabada. Claro que, por vezes, pode fazê-lo, e já me aconteceu ajudar um escritor quando o processo ainda ia a meio, mas, nesse caso, a pessoa estará a fazer mais do que um trabalho de leitor beta. Um beta-reader corrige erros ortográficos (mas lembre-se que existem ferramentas próprias que devem ser usadas antes do documento ser enviado) avalia a acção, personagens, procura incongruências temporais, logísticas, etc. Não lê apenas a obra, mas tece comentários no sentido de apontar um caminho para a melhorar.

Quantos beta-reader devo arranjar? 
Na minha opinião (e não passa disso) não muitos. Por vezes, less is more e mais vale 1 bom beta-reader do que 5 que lêem a obra só para poder dizer que fizeram de beta-reader sem dar um contributo significativo. Esta questão relaciona-se com a próxima…

Que tipo de pessoa procurar?
Isto é importante. Se escreve poesia (por exemplo) não faz sentido pedir a uma pessoa que não gosta do estilo. Já fiz de beta-reader em livros eróticos e senti que o meu contributo para o escritor não era tão bom como seria no caso de ser um estilo que me agrade. Tente saber coisas sobre a pessoa. Não lhe peça um CV mas pergunte-lhe de que géneros gosta ou se tem uma conta no goodreads para avaliar as leituras que faz. Lembre-se que deve procurar pessoas com experiência – pergunte-lhes se têm alguma. Prefira pessoas que já fizeram de beta-reader em livros que já foram publicados. Por fim, pode apostar em alguém que tenha um blogue e que depois poderá falar na sua obra quando ela já estiver publicada. Peça sempre ao beta-reader para não mostrar o manuscrito a ninguém nem falar sobre ele. Isto é básico, mas nem toda a gente se lembra…

Quanto tempo vai demorar a ler?
Depende muito do livro e do leitor beta. Lembre-se de lhe estabelecer um prazo, mas tenha em atenção o timing dos dois. Já comentei livros num dia e também já demorei meses. Negoceie um limite e tente que não seja ultrapassado. Vá mantendo contacto com o leitor beta - de X em X tempo mande uma mensagem ou um e-mail a perguntar como está a correr (sem pressionar).

Sou escritor e um beta-reader fez-me muitas críticas. Devo mudar consoante o que ele me diz? 
Depende. Uma vez um escritor enviou-me um documento com os comentários de um outro beta-reader e perguntou-me a minha opinião. Para além de eu não concordar com quase nada do que o leitor beta tinha feito, o mesmo defendia uma enorme reformulação da história. Esse não é um papel de beta-reader. O escritor cria a história. Se o beta-reader não “gosta” do enredo, do final ou da personagem X, paciência. Não é esse o seu papel.

Por fim… uma dica. 
Respeite um beta-reader e exija respeito. 

Respeite - Lembre-se que está ali uma pessoa a despender voluntariamente do seu tempo para o ajudar. Já soube de casos de escritores a pedirem beta-readers e, passado uns dias, mandaram-lhes mensagens a dizer "ah, afinal já não preciso!". Isto é inadmissível.
Veja o que a pessoa tem para dizer e os comentários que tece pois só o quer ajudar a melhorar. Leia com olhos de ler e reflicta no que lhe disse.
Se pede a alguém para perder o seu tempo a ler o que escreveu, lembre-se de lhe agradecer (uma referência ou agradecimento no próprio livro é um gesto simpático que não custa nada).

Seja respeitado - Já vi casos de beta-readers a fazerem comentários sarcásticos e depreciativos aos manuscritos dos escritores. Não é isso que se pretende. Por vezes, eu uso o humor com alguns autores, mas para isso é necessário já haver uma certa confiança. Não deixe que gozem consigo, com o seu trabalho nem permita que o tratem mal.

Escrito por Roberta Frontini a 16 de Fevereiro de 2014, publicado a 18 de Fevereiro de 2014.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Dicas a novos escritores


Escrever não é tarefa fácil. Por vezes conhecem-se autores que já escreveram dezenas de livros e pode-se pensar “não deve ser assim tão difícil publicar”. Lamento, mas estão enganados!
Claro que é preciso ter muito cuidado. Recentemente, algumas “editoras” têm sido denunciadas nas redes sociais pelo facto de não ajudarem a promover os seus autores e, desde que estes paguem, elas publicam qualquer coisa.
Gostei imenso de um dos posts publicados aqui no blogue pelo João, deixo o link para consulta - http://oquintoeditor.blogspot.pt/2014/02/10-dicas-infaliveis-para-ser-publicado.html#comment-form. Trata-se de um conjunto de 10 conselhos para quem quer publicar. Algumas das considerações que ele teceu levaram-me a refletir um pouco e a recordar algumas das questões que os novos autores (que nunca publicaram) me têm feito quando me pedem para fazer de beta-reader. Elenco, assim, algumas das perguntas que me têm sido feitas.

1) Como devo formatar o texto? Existe algum tipo de letra ou tamanho?
Esta é uma das perguntas que mais me têm feito e, normalmente, quem ma faz apresenta-me um documento com uma letra de difícil leitura, com espaçamento e /ou tamanho fora do comum ou mesmo um tamanho de páginas irrisório. É preferível usar um Documento Word, Times New Roman, tamanho 12 e espaçamento duplo. Cada editora poderá ter a sua formatação própria e não gostar que o escritor defina já a sua própria formatação num primeiro contacto.

2) Quanto tempo devo passar a escrever um livro?
Outra pergunta que me fazem muito. A verdade é que tenho a sensação de que hoje em dia uma pessoa quer escrever o mais depressa possível, publicar rápido e chegar ao sucesso num ápice. Nunca ouviram a máxima “a pressa é inimiga da perfeição”? Demorem tempo a fazer as coisas. Peçam a alguém para ler o original e vos apontar erros, gralhas e incongruências. Entreguem o manuscrito o mais “perfeito” que conseguirem. E se demorarem 5 anos a fazê-lo… Demorem! Mais vale apresentar um trabalho bem feito do que tentar publicar à pressa algo que até pode vir a ser rejeitado. Lembrem-se: não há contratos, não há dead lines – usem isso a vosso favor. Estão agora a começar…

3) Que editora escolher?
Este ponto é importante e foi levantado pelo post ao qual fiz referência há pouco. Há editoras que se focam em determinados temas ou áreas. Invistam tempo a procurar saber qual se adequa mais ao vosso manuscrito. Não vão querer publicar um erótico numa editora especializada em religião pois não? O risco de rejeição é maior…

4) Como faço para os persuadir a ler o meu manuscrito?
Escrevendo bem e, acrescentaria ainda, a trabalharem bem as primeiras páginas - são fundamentais. A vossa história pode ser bombástica, mas se nas primeiras páginas se esquecerem de demonstrar que são bons escritores, então, não vale a pena, pois quem seleciona as obras nas editoras pode desistir de o ler… Evitem erros, gralhas, frases gramaticalmente incorretas, demonstrem que são ponderados e usam uma escrita eloquente, percetível e elegante. Não exagerem no diálogo nem escrevam de forma tão rebuscada que tornem o texto impercetível.

5) Nenhuma editora me vai querer publicar… E se publicar sozinho?
Pode ser boa ideia, mas desaconselho a fazê-lo sem primeiro procurar uma editora. Pelo menos tentem. Há escritores que me dizem que vão publicar sozinhos porque já sabem que nenhuma editora vai querer apostar no ser trabalho. Como sabem? Não tentaram! Enviem os manuscritos e façam o melhor que conseguem e que podem. Trabalhem com esforço e serão recompensados.

Escrito por Roberta Frontini a 12 de Fevereiro de 2014, publicado a 13 de Fevereiro de 2014.