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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Dicas a novos escritores


Escrever não é tarefa fácil. Por vezes conhecem-se autores que já escreveram dezenas de livros e pode-se pensar “não deve ser assim tão difícil publicar”. Lamento, mas estão enganados!
Claro que é preciso ter muito cuidado. Recentemente, algumas “editoras” têm sido denunciadas nas redes sociais pelo facto de não ajudarem a promover os seus autores e, desde que estes paguem, elas publicam qualquer coisa.
Gostei imenso de um dos posts publicados aqui no blogue pelo João, deixo o link para consulta - http://oquintoeditor.blogspot.pt/2014/02/10-dicas-infaliveis-para-ser-publicado.html#comment-form. Trata-se de um conjunto de 10 conselhos para quem quer publicar. Algumas das considerações que ele teceu levaram-me a refletir um pouco e a recordar algumas das questões que os novos autores (que nunca publicaram) me têm feito quando me pedem para fazer de beta-reader. Elenco, assim, algumas das perguntas que me têm sido feitas.

1) Como devo formatar o texto? Existe algum tipo de letra ou tamanho?
Esta é uma das perguntas que mais me têm feito e, normalmente, quem ma faz apresenta-me um documento com uma letra de difícil leitura, com espaçamento e /ou tamanho fora do comum ou mesmo um tamanho de páginas irrisório. É preferível usar um Documento Word, Times New Roman, tamanho 12 e espaçamento duplo. Cada editora poderá ter a sua formatação própria e não gostar que o escritor defina já a sua própria formatação num primeiro contacto.

2) Quanto tempo devo passar a escrever um livro?
Outra pergunta que me fazem muito. A verdade é que tenho a sensação de que hoje em dia uma pessoa quer escrever o mais depressa possível, publicar rápido e chegar ao sucesso num ápice. Nunca ouviram a máxima “a pressa é inimiga da perfeição”? Demorem tempo a fazer as coisas. Peçam a alguém para ler o original e vos apontar erros, gralhas e incongruências. Entreguem o manuscrito o mais “perfeito” que conseguirem. E se demorarem 5 anos a fazê-lo… Demorem! Mais vale apresentar um trabalho bem feito do que tentar publicar à pressa algo que até pode vir a ser rejeitado. Lembrem-se: não há contratos, não há dead lines – usem isso a vosso favor. Estão agora a começar…

3) Que editora escolher?
Este ponto é importante e foi levantado pelo post ao qual fiz referência há pouco. Há editoras que se focam em determinados temas ou áreas. Invistam tempo a procurar saber qual se adequa mais ao vosso manuscrito. Não vão querer publicar um erótico numa editora especializada em religião pois não? O risco de rejeição é maior…

4) Como faço para os persuadir a ler o meu manuscrito?
Escrevendo bem e, acrescentaria ainda, a trabalharem bem as primeiras páginas - são fundamentais. A vossa história pode ser bombástica, mas se nas primeiras páginas se esquecerem de demonstrar que são bons escritores, então, não vale a pena, pois quem seleciona as obras nas editoras pode desistir de o ler… Evitem erros, gralhas, frases gramaticalmente incorretas, demonstrem que são ponderados e usam uma escrita eloquente, percetível e elegante. Não exagerem no diálogo nem escrevam de forma tão rebuscada que tornem o texto impercetível.

5) Nenhuma editora me vai querer publicar… E se publicar sozinho?
Pode ser boa ideia, mas desaconselho a fazê-lo sem primeiro procurar uma editora. Pelo menos tentem. Há escritores que me dizem que vão publicar sozinhos porque já sabem que nenhuma editora vai querer apostar no ser trabalho. Como sabem? Não tentaram! Enviem os manuscritos e façam o melhor que conseguem e que podem. Trabalhem com esforço e serão recompensados.

Escrito por Roberta Frontini a 12 de Fevereiro de 2014, publicado a 13 de Fevereiro de 2014.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Cultura alheia

Devo começar esta crónica por avisar o leitor que não encontrará aqui quaisquer respostas, apenas questões, perguntas, interrogações. Devo também avisar o leitor que isso deve-se à minha falta de respostas para as questões que aqui quero levantar. Talvez noutra ocasião me aventure a explorá-las. Por agora, apraz-me apenas perguntar, levantar a discussão.

Não saberão os portugueses escrever? Ou cantar, ou tocar, ou representar? Não serão os portugueses seres dotados para as artes? Não saberão os portugueses pintar? Ou esculpir, ou desenhar, ou ilustrar?

Não será a criatividade uma das virtudes deste povo? Estas são as perguntas que me surgem quando vejo o top de vendas das livrarias, quando vejo os cartazes dos festivais de música, quando procuro os filmes em cartaz... Pouco ou nada tem origem em Portugal, pouco ou nada é feito por portugueses. Porquê?

Esta é a pergunta que me surge de imediato, uma interrogação que não consigo solucionar, uma preocupação que me tira o sono, a vontade de dormir. Então escrevo. Como não consigo dormir, apoquentado por estas questões, escrevo crónicas com a esperança de que elas agitem consciências, mudem opiniões e modos de pensar. Eu acredito na qualidade dos artistas portugueses, acredito no valor da arte que por cá se faz, reconheço a sua qualidade!

Por isso não compreendo como é possível que se importe oitenta ou noventa por cento da cultura que por cá é consumida? Nem na cultura somos exportadores ou, pelo menos, autossuficientes. Sintonizo a rádio e pouco oiço de português, ligo a televisão e praticamente nada tem origem própria. Porquê? Não serão os portugueses um povo de cultura? Ainda ontem sonhávamos em construir o Quinto Império e hoje dedicamo-nos à compra dos "quintos impérios alheios". Quando começaremos a dar oportunidade ao que é feito por cá, feito por nós?

Quando começaremos a comprar livros de autores de língua portuguesa? Quando começaremos a comprar os CD dos nossos músicos e os filmes dos nossos atores? E de quem é culpa? Das editoras que não publicam os nossos conteúdos? Do público que não consome esses conteúdos? Ou das editoras que não publicam esses conteúdos por eles não serem vendáveis? Ou do público que não os consome por não estarem publicados? Não o avisei eu que apenas havia aqui questões?